25TG02 – Terapia em Grupo: Quem sou eu hoje? 1º encontro – No último sábado, 03 de maio de 2025, às 15h, horário de Brasília, teve início mais um ciclo do Grupo de Terapia Online para Mulheres. E como nascimentos psíquicos não acontecem sob pressão, mas por caminhos simbólicos, começamos com um gesto delicado: cada participante foi convidada a se apresentar por meio de uma flor — imagem viva e silenciosa daquilo que, em nós, ainda não encontrou palavra.
Essa escolha não se deu por acaso. A flor é metáfora: não apenas beleza exposta, mas também raiz, ciclo, resistência. Cada uma das sete mulheres trouxe, com sua flor, um aspecto íntimo de si — nem sempre nomeável, mas sensível:
– Margarida amarela: alegre e simples, mas de rara adaptabilidade e resistência — símbolo de quem, mesmo sob adversidade, permanece firme, luminosa;
– Flor de lótus: que brota da lama sem se contaminar por ela — imagem de renascimento, pureza conquistada e beleza que exige travessia;
– Rosa branca: expressão de uma busca por autenticidade, verdade e amor despojado — suave por fora, mas com espinhos discretos que protegem a essência;
– Dente de leão: flor do vento, do desejo de mudança, do sopro que leva embora o que não serve mais — uma alma em movimento, em transição;
– Girassol: que gira em direção à luz, mesmo quando cercado por sombras — símbolo de quem escolhe esperançar, mesmo em tempos sombrios;
– Flor da pitangueira: pequena, quase tímida, mas doce no interior — expressão de um desejo profundo de pertencimento e acolhimento familiar;
– Rosa do deserto: flor que desafia o solo árido — resiliência de quem, mesmo em meio à escassez, insiste em florescer.
Quanto a mim, compartilhei minha identificação com a Amarílis Red Lion: flor que não exige muito — pouca terra, pouca água — mas que, se bem cuidada, floresce com vigor. Disse-me assim: “vivo com pouco e sou feliz; se alguém deseja fazer parte da minha vida, não precisa me ofertar muito, mas precisa cuidar com constância”.
O eu e suas máscaras
Essa abertura simbólica conduziu ao tema do nosso primeiro encontro: “Quem sou eu hoje?” — uma pergunta que, à primeira vista, parece simples, mas que em psicanálise revela uma fenda entre o que se vive e o que se sustenta como identidade.
Freud nos alerta: o eu não é senhor em sua própria casa. Ele é constituído por forças externas (cultura, educação, vínculos afetivos) e por defesas inconscientes — máscaras que usamos não apenas para o outro, mas para nós mesmas. A proposta do encontro não foi desmascarar ninguém, mas favorecer a escuta do “eu” como construção narrativa: o modo como cada uma se conta para continuar existindo, mesmo que isso implique repetir dores antigas.
Três perguntas foram elaboradas para este momento, mas apenas uma trabalhada até então:
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Quais histórias eu conto sobre mim mesma quando sou questionada sobre quem sou?
Ainda trabalharemos:
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Existe uma diferença entre quem eu sou e quem eu mostro ser?
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De onde vêm os ideais que sustentam a imagem que apresento?
Como continuidade, propusemos uma atividade íntima, mas profunda: “Minhas Máscaras”, um exercício de escrita reflexiva para que cada participante identificasse, em diferentes contextos da vida (como família, trabalho, espiritualidade), os papéis que representa, o que sente ao vivê-los e as origens psíquicas que os sustentam — favorecendo, assim, a livre associação e o surgimento de novas elaborações sobre si. Atividade que será partilhada no grupo próprio do WhatsApp e no fórum aberto para todos.
Indiquei, ainda, dois filmes simbólicos: “Cisne Negro”, para refletir os dilemas entre perfeição, desejo e sombra no universo feminino; e “Dança com Lobos”, como metáfora para o processo de aproximação do outro, da natureza e do próprio silêncio.
Atividades:
Psicanálise e Cinema: Cisne Negro – o colapso do Eu
Considerações: 25TG02 – Terapia em Grupo
Quem sou eu hoje? — a pergunta que nos abriu não exige resposta imediata; exige escuta. Escuta de si, escuta do outro, escuta do que ainda não foi dito. O grupo começou como um jardim: cada flor com sua história, sua dor, sua beleza. E, como na psicanálise, o trabalho será de cultivo — cuidadoso, paciente, sem pressa de florescer.
Se você deseja participar de um novo grupo, entre em contato comigo, Leonid R. Bózio, pelo WhatsApp (61) 98268-0880 ou por e-mail domleonpsicanalise@gmail.com. Há previsão de abertura de nova turma às quintas-feiras à noite. Os grupos são compostos por no mínimo 5 e no máximo 8 mulheres — o número certo para que cada voz encontre lugar e eco.
No fim, a pergunta persiste — não como peso, mas como convite: Quem sou eu hoje?
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por Leonid R. Bózio
Brasília, no último dia do novendialis de 2025 anno Domini


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