Terapia em Grupo aos Sábados: A História que Cada Uma Leva Consigo – Na tarde do dia 21 de junho de 2025, realizamos mais um encontro de nosso grupo de Terapia em Grupo aos sábados — um espaço de escuta sensível, acolhimento simbólico e elaboração do que, muitas vezes, não encontra lugar nas palavras. Nesta jornada, mais do que identificar sintomas ou oferecer respostas, buscamos abrir frestas para que o inconsciente possa falar.
Neste encontro, fomos agraciados com a chegada de uma nova integrante, que escolheu para si o nome de Rosa Vermelha: imagem que evoca o desejo de amar e de se fazer amar. Como em todos os encontros, as participantes são nomeadas por flores — uma linguagem poética e protetora que preserva o anonimato e, ao mesmo tempo, revela algo de profundo de sua subjetividade. Estiveram presentes, portanto: a Girassol, a Flor de Pitangueira e a Rosa Vermelha.
A Música Como Porta de Entrada: “Story of My Life”
Tomamos como eixo simbólico da tarde a canção Story of My Life, da banda One Direction. A letra, que fala da entrega silenciosa, da repetição do sofrimento e do tempo que parece congelar certas experiências, ressoou fortemente em cada uma das integrantes. A pergunta que ecoou foi direta e densa:
Qual é a cena da minha história que mais se repete em diferentes relações?
As respostas foram tecidas em camadas: muitas relataram uma constante desvalorização de si mesmas em nome de manter vínculos afetivos. Falaram da dificuldade de se colocarem em primeiro lugar, do impulso de ceder para preservar o amor, da fantasia de que sendo úteis, seriam indispensáveis — e assim, amadas. O desejo de reciprocidade apareceu atravessado por frustrações: “como saber se o outro se entrega como eu me entrego?”. O que antes parecia certo, hoje se mostra incerto. Palavras já não bastam; é preciso ação. Mas até as ações, por vezes, enganam.
Rejeição, Abandono e a Dor Nomeável
A escuta se aprofundou nas experiências de rejeição e abandono. Não falamos da “maior dor”, mas daquela que cada uma ousou nomear naquele momento. Dor que se permite falar em grupo. Algumas colocaram a sensação de não terem sido escolhidas, outras, a ferida de se sentirem insuficientes — por não terem o corpo idealizado, a beleza esperada, ou a riqueza socialmente valorizada.
A ideia da “boa menina” também veio à tona: essa que agrada, que não impõe limites, que diz sim quando quer dizer não. Hoje, em uníssono, disseram estar dispostas a abrir mão dessa imagem. Buscam mais de si mesmas, mesmo que isso implique não serem aceitas como antes.
Momentos de Felicidade: A História Que Também Nos Sustenta
Mas não falamos apenas de dor. O grupo também acessou lembranças de momentos felizes: tempos em que estavam bem consigo mesmas, livres das exigências externas, conectadas com a própria essência. Cada flor trouxe à luz aquilo que deseja levar para a vida: o cuidado de si, o zelo pela casa, pelo corpo, pela alma. A esperança por uma vida mais leve — não porque não haja problemas, mas porque é possível enfrentá-los com outra postura.
Indicação de Filme: Túmulo dos Vagalumes
Como sugestão de aprofundamento, foi indicado o filme Túmulo dos Vagalumes, de Isao Takahata. A animação japonesa narra a comovente história de dois irmãos tentando sobreviver após os bombardeios da Segunda Guerra Mundial. A dor, a perda, o abandono e, paradoxalmente, o vínculo e o cuidado entre os dois, compõem um retrato sensível sobre o que permanece quando tudo desaba. O filme será trabalhado em nosso fórum de discussão, e convidamos todas as participantes — e também novas interessadas — a compartilharem suas impressões.
Atividade: Terapia em Grupo aos Sábados
Como prolongamento simbólico da escuta iniciada no grupo, foi proposta uma atividade para continuidade no fórum: cada participante deverá escolher uma música que represente, hoje, o tema de sua vida — não como um rótulo fixo, mas como um espelho possível daquilo que pulsa em sua história. Junto à canção, espera-se um breve relato sobre o motivo da escolha. O gesto é simples, mas profundamente revelador: nomear-se através da arte, emprestar à melodia aquilo que às vezes o verbo não alcança. A partilha será feita no espaço virtual do grupo, onde o vínculo se estende e a escuta prossegue.
Convite
Se você se identificou com algum desses temas, se sentiu que algo em você foi tocado por essas palavras, talvez seja o momento de se permitir viver essa experiência de escuta em grupo. Nossos encontros de Terapia em Grupo aos sábados são mais do que reuniões: são rituais de fala e silêncio, de dor e reconstrução. E há sempre lugar para mais uma flor.
Além dos encontros, mantemos um fórum de discussão aberto a todas que desejarem participar — mesmo aquelas que ainda não integraram o grupo. As conversas se prolongam em partilhas virtuais, onde a escuta continua, e novas camadas de sentido podem emergir. Sua história também merece ser escutada.
Considerações
A Terapia em Grupo aos sábados tem se mostrado um espaço fértil de elaboração simbólica, onde a dor é escutada sem julgamento e o desejo encontra vias de expressão. Com base na psicanálise freudiana, este projeto convida cada mulher a dar voz à sua história — mesmo que ainda em fragmentos — para que, juntas, possamos construir sentidos mais verdadeiros e sustentáveis.
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por Leonid R. Bózio
Brasília, de 2025 anno Domini

