Sobre o Mecanismo Psíquico dos Fenômenos Histéricos

I – Sobre o Mecanismo Psíquico dos Fenômenos Histéricos: Comunicação Preliminar (1893) – Breuer e Freud

A seguir, listo os principais pontos abordados no texto, que refletem as descobertas preliminares de Breuer e Freud sobre a origem, os mecanismos e o tratamento dos fenômenos histéricos:

  1. Importância da Causa Precipitante
    • Os sintomas histéricos são frequentemente desencadeados por um trauma psíquico ocorrido anos antes, muitas vezes na infância.
    • Identificar essa causa não é possível apenas por interrogatório direto, pois o paciente pode evitar discuti-la ou não se lembrar dela conscientemente.
    • A hipnose é utilizada como método para acessar essas memórias reprimidas, revelando a conexão causal entre o evento traumático e os sintomas de forma clara e convincente.
  2. Analogia com as Neuroses Traumáticas
    • Há uma semelhança entre a histeria e as neuroses traumáticas: em ambas, o trauma psíquico (como susto, angústia ou vergonha), e não um dano físico, é a causa principal dos sintomas.
    • Experiências que evocam afetos intensos podem atuar como traumas psíquicos, e sua ação depende da suscetibilidade do indivíduo.
    • Os sintomas histéricos, como nevralgias, paralisias, ataques ou alucinações, estão estritamente ligados a esses traumas desencadeadores.
  3. Persistência dos Sintomas
    • Os sintomas histéricos persistem porque o trauma psíquico não foi adequadamente processado ou “ab-reagido” (liberado emocionalmente).
    • Se o afeto associado ao trauma não é expresso (por ação, palavras ou lágrimas) ou integrado por associações com outras experiências, a lembrança traumática permanece ativa, influenciando o comportamento e os sintomas por anos.
    • Isso contrasta com o desgaste natural das lembranças em pessoas normais, onde a reação ou a associação reduz o impacto afetivo.
  4. Divisão da Consciência
    • As lembranças traumáticas que geram sintomas histéricos não estão disponíveis na consciência normal, mas podem ser acessadas sob hipnose, indicando uma divisão da consciência.
    • Essa dissociação é um fenômeno básico da histeria, presente em grau rudimentar em todos os casos, e sugere a existência de uma “segunda consciência” ou estados isolados da mente.
  5. Estados Hipnóides
    • Os estados hipnóides são estados alterados de consciência onde surgem representações intensas, mas isoladas do resto da mente consciente.
    • Podem ser disposicionais (uma tendência inata em algumas pessoas, como em devaneios) ou adquiridos (induzidos por traumas graves ou supressão de afetos).
    • Esses estados fornecem o terreno para a formação de sintomas histéricos, sendo a base da histeria tanto disposicional quanto psiquicamente adquirida.
  6. Ataques Histéricos
    • Os ataques histéricos são episódios agudos que frequentemente reproduzem alucinatoriamente o trauma original ou uma série de traumas interligados.
    • Podem incluir fases como movimentos amplos ou atitudes passionais, refletindo a intrusão da consciência hipnóide na vida normal.
    • Mesmo em ataques sem alucinações evidentes, a hipnose revela uma lembrança traumática subjacente, mostrando que os sintomas têm significado psicológico ligado a eventos passados.
  7. Método Terapêutico
    • O tratamento desenvolvido por Breuer e Freud envolve acessar as lembranças traumáticas sob hipnose, permitindo que o paciente expresse o afeto associado (ab-reação) e as integre por associação com outras ideias.
    • Quando o trauma é revivido e processado adequadamente, os sintomas desaparecem de forma permanente, diferentemente da sugestão direta, que apenas suprime os sintomas temporariamente.
    • O método é eficaz para eliminar resíduos de sintomas crônicos ou ataques após a fase aguda da histeria, embora não previna a predisposição a novos estados hipnóides.

Esses pontos resumem as ideias centrais da “Comunicação Preliminar” de 1893, destacando a origem psicológica da histeria, o papel do trauma psíquico, a importância da hipnose e a inovação terapêutica proposta por Breuer e Freud. O texto lança as bases para a compreensão moderna do inconsciente e da psicoterapia, marcando um avanço significativo em relação às visões médicas tradicionais da época.

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por Leonid R. Bózio
Brasília,  de 2025 anno Domini

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