Frida Kahlo e a Psicanálise: O Conflito Entre o Olhar e o Desejo

Frida Kahlo e a Psicanálise: O Conflito Entre o Olhar do Outro e o Desejo Próprio

Entre pincéis e conflitos internos

Quando olhamos As Duas Fridas, de 1939, é como se Frida Kahlo tivesse pintado não apenas a própria história, mas também uma questão central da psicanálise: o Eu dividido entre a imagem que o mundo espera e o desejo que pulsa em silêncio. Na tela, duas Fridas se sentam lado a lado: uma com vestido europeu, outra com trajes tradicionais mexicanos. Entre elas, um fio de sangue liga corações expostos , uma conexão que é, ao mesmo tempo, vida e ferida.

Frida Kahlo e a psicanálise se encontram aqui: na tensão entre dois modos de existir, na dor de se sentir partida e na busca por integrar o que parece inconciliável.


As identidades moldadas pelo olhar do outro

No consultório psicanalítico, é frequente ouvir relatos de quem vive, simbolicamente, como as duas Fridas: um “eu” que se veste para o trabalho, outro que se molda à família, um terceiro para o casamento, e ainda outro para os amigos. Cada papel é desempenhado com aparente fluidez, mas, dentro, a sensação é de que a própria vida foi construída sobre moldes alheios.

Freud nos lembra que o Eu (Ich) se constitui a partir de identificações, muitas vezes impostas desde cedo. Quando essas identificações ocupam todo o espaço, o sujeito se vê afastado de seus próprios desejos, vivendo um enredo onde a aprovação externa vale mais do que a verdade interna.


O preço de viver dividido

Tal como nas Duas Fridas, essa duplicidade não é neutra. O fio de sangue que liga as duas versões simboliza o custo psíquico dessa cisão: ansiedade, tristeza sem nome, sintomas no corpo, sensação de não pertencimento. É como se cada adaptação exigisse uma renúncia, e cada renúncia deixasse um rastro de perda.

Na psicanálise, chega um momento em que o analisando se depara com a pergunta inevitável: Se eu não estivesse tentando agradar ou corresponder a ninguém, quem eu seria? Essa é a fresta por onde começa a passar a luz  e, junto dela, o desconforto de encarar o que foi deixado para trás.


Do conflito à integração

Frida Kahlo e a psicanálise compartilham um horizonte: transformar a ferida em obra, o corte em diálogo. O trabalho analítico não elimina os diferentes “eus” que construímos, mas cria um espaço onde eles possam se reconhecer e se integrar. Isso não significa abandonar papéis sociais, mas deixar de vivê-los como imposições cegas, retomando a autoria da própria história.

Integrar é permitir que o fio de sangue que liga nossas versões internas deixe de ser um sangramento para se tornar um fluxo vital; que o gesto de existir para o outro seja acompanhado pelo gesto de existir para si.


Considerações

Frida Kahlo e a psicanálise nos mostram que o conflito entre quem somos e quem nos moldaram para ser não é um destino imutável. A análise é o lugar onde as duas versões de si podem se sentar frente a frente, conversar e, quem sabe, se reconhecer como partes de uma mesma vida. Se este tema encontrou eco em você, talvez seja o momento de permitir que sua história se pinte com as cores do seu próprio desejo.

 

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por Leonid R. Bózio
Brasília,  de 2025 anno Domini

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