Entre o amor e a necessidade – Lírio R. – Compartilho os textos produzidos pelas participantes do Grupo de Terapia Online, que teve seu último encontro no sábado passado (29/03/25). Este artigo reúne reflexões profundas surgidas ao longo de uma jornada terapêutica marcada por trocas e autoconhecimento, tendo como tema central a relação, entre amor e necessidade, no último encontro. Para preservar o sigilo e a privacidade de cada analisanda, elas são aqui representadas por pseudônimos florais – Girassol, Calandiva, Margarida, Rosa e Lírio –, nomes escolhidos por elas mesmas, que simbolizam tanto sua singularidade quanto a beleza de seus processos internos. Para maior compreensão, leia o artigo principal. Prepare-se para mergulhar neste ‘Jardim de Reflexões’, onde cada relato revela emoções únicas e convida à uma leitura sensível e acolhedora.
Texto: Entre o amor e a necessidade – Lírio R.
Existe uma linha sutil entre amar alguém e precisar da pessoa para sobreviver emocionalmente. E às vezes, a gente só descobre onde a tal da linha está quando já passou dela.
Às vezes, nem dá pra saber se o que sente é amor ou só um grito interno pedindo socorro. Eu mesma tô aprendendo a perceber essa diferença — ou, melhor dizendo, esse emaranhado.
A verdade é que não é fácil separar as coisas. Amar alguém, pra mim, é desejar o bem dessa pessoa, querer crescer junto, desejar ser sua melhor versão para entregar o melhor, servir com alegria. Mas, ao mesmo tempo, percebo que usar o outro – e ser usado – para aliviar dores internas também faz parte do pacote. Não consigo fingir que não.
A diferença talvez esteja no objetivo final. Quando a relação vira só uma tentativa de se sentir melhor, a empatia some. Servir ao outro já não importa, é apenas moeda de troca. Eu faço para que o outro me ame, ou faça por mim. Mesmo que contemos uma história mental de que fazemos tanto pelo outro porque ali existe amor, a feia realidade é que a pessoa vira um objeto — um boneco emocional que existe só pra preencher aquilo que está faltando dentro da gente. Quem ela é já não importa.
Por que isso acontece? Vou com a hipótese de que é porque a autoestima é baixa. Porque, lá no fundo, acreditamos que se alguém nos amar, então valemos alguma coisa. E desejamos ter aquele amor a qualquer custo.
E aí vem o perigo: a gente se sujeita a qualquer coisa. Mesmo quando a pessoa nos machuca, mesmo quando o amor é mais ausência do que presença, a gente insiste. Porque criou na própria cabeça a ideia de que aquela pessoa tem a chave de tudo o que precisamos. Seja lá o que for esse tudo.
O amor maduro inclui o desejo de estar junto, mas não depende disso para existir. A necessidade, por outro lado, transforma o outro numa muleta emocional — e isso se torna uma prisão sufocante. Para os dois.
Como sair disso? Sinceramente, eu não sei a fórmula. Mas creio que comece por se conhecer mais. Se amar mais. Dar nome claro às próprias necessidades. Aprender a supri-las você mesmo, ao menos em maior parte. E, acima de tudo, parar de avaliar a pessoa pelo que você sente por ela — e começar a observar como ela te faz se sentir.
Porque, no fim, se o amor que você sente te faz achar que a pessoa é – ou pode ser, se ela quiser – tudo o que você precisa, mas na hora do “vamovê” ela te faz sentir um lixo… então essa é a realidade do seu relacionamento.
O seu relacionamento não é a sua idealização, o que você está sonhando para os dois.
É o que realmente está acontecendo.E talvez aí esteja o limite entre amor e necessidade. Amor é suportar a dor em nome do crescimento conjunto, que acontece após cada um dos ciclos de problemas no relacionamento. Necessidade é suportar a dor porque esse amor é tudo o que você tem. E essa dor, nunca vem acompanhada de crescimento conjunto, mas de você enlouquecendo para se adaptar, para mudar, para melhorar…mas o que vem é mais dor. Muitas vezes, pelos mesmos motivos!
Encontrar o limite é apenas o primeiro passo. O seguinte é descobrir o que é que você vai fazer quando souber onde está a fronteira entre amor e necessidade.
E aí? Vai fazer o que?
Artigo principal: Terapia em Grupo
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por Leonid R. Bózio
Brasília, de 2025 anno Domini